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21/10/2008

O consumidor é racional e vai frear – Entrevista com Décio Zylberstajn em Blumenau


Doutor de Economia pela Universidade da Carolina do Norte (USA), professor da USP e criador do programa dos Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa), Décio Zylberstajn esteve em Blumenau a convite da SBA Associados, quando falou a empresários sobre Macroeconomia e conversou com a coluna sobre as relações de consumo durante a crise.

 

Jornal de Santa Catarina – Qual o papel das empresas na crise?

Décio Zylberstajn – Elas têm que resolver o problema imediato, mas o momento também é importante para olhar para os lados e para frente. Pra os lados para identificar, junto com os concorrentes e parceiros, os novos mecanismos que podem surgir para lidar com a instabilidade. Pra frente, para discutir os possíveis horizontes que as empresas terão. O exercício da gestão estratégica é fundamental.

 

Santa – Sobre a reação do consumidor, qual a sua avaliação?

Zylberstajn – O consumidor não esta receoso. Ele é racional e nesse  momento vai refrear o consumo.. Em certas faixas de renda, o consumo era pautado pelo crédito. Caso do mercado de imóveis e veículos. Agora, o consumidor não tem a ferramenta e nem a renda para comprar. Outros setores, de  baixo valor, também serão afetados. A indústria alimentícia, por exemplo, vinha lançando produtos, voltados novo consumidor das classes C e D, que ascenderam para o mercado. Aí sim pode haver uma retração.

 

Santa – Como a mudança no governo dos EUA pode ajudar?

Zylberstajn – O atual governo é muito mais sujeito a criticas, já que a política externa tem sido desastrosa, do que se espera de um governo democrata e mais ainda de Obama. O presidente eleito começa o governo com grande suporte internacional. Nós não nos lembramos de ver o povo nas ruas de Paris comemorando e eleição de um presidente norte-americano, como vimos desta vez. Ele tem mais chances de dialogar do que o governo republicano.

 

Santa – A estratégia das montadoras americanas é a correta?

Zylberstajn – Negociar em conjunto é sempre melhor que isoladamente. As montadoras dos EUA vêm de décadas de perda de competitividade. É o exemplo de um produto cujo perfil deve mudar em longo prazo. A mesma pressão que o setor fumageiro enfrenta, sabendo que tem que mudar o foco, virá para os automóveis. Em breve, o conceito de transporte urbano deverá mudar, simplesmente por que as cidades não conseguirão conviver com o volume de carros. É um bom momento para essa indústria se repensar.

Por Francisco Fresard - Coluna Mercado Aberto.

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